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Semelhanças e Diferenças entre Porto Alegre e Aracaju #1: Football
Como prometido, inicio a série de posts com semelhanças e diferenças entre Porto Alegre e Aracaju. A capital da minha amada terrinha e a minha nova morada. Nesta primeira escrita, a paixão nacional, a qual eu não dou a mínima: o futebol!

Semelhança
No meio de tanta porcaria, dois times se destacam. Em Aracaju: Sergipe e Confiança, aqui: Grêmio e Internacional.
Única semelhança.
Diferenças

Grêmio e Inter tem torcidas numerosas e fiéis. Aqui no Rio Grande nem adianta, você tem que ter um time daqui e é Grêmio ou Internacional. Em Aracaju a torcida do colorado e do proletário é restrita ao grupo de ouvintes/telespectadores de Wellington Elias, ou seja, os tiozão de 50 pra cima.
Grêmio e Inter se orgulham dos títulos conquistados e sempre estão presentes no top das competições nacionais, além da Libertadores da América, que diga-se de passagem, os dois clubes já saíram campeões, ambos foram “campeões do mundo”, ou melhor, o Grêmio foi “campeão do mundo”, o Inter foi “campeão mundial”. Sergipe e Confiança se revesam nadisputa pelo título do disputadíssimo Campeonaro Sergipano, e olhe lá quando nao perdem isso para zebras como o Itabaiana e o Pirambu.
Grêmio e Inter tem estádios grandes. Além disso, o tricolor vai contruir uma nova sede, já a sede do colorado será reformada para abrigar alguns jogos da Copa de 2014. Sergipe e Confiança… bom.. cada um tem um campinho de várzea. Uns “terrenos baldios que não cabem um jogador solitário, ou com solitária”. O único estádio decente do estado é o Batistão, que aliás fez 40 anos no meio de 2009.
O Sergipe completou 100 anos neste ano. E a festa? Pelo que li na infonet, um dirigente do clube falou que “ia ter alguma coisa”. O colorado daqui também fica centenário em 2009. Mas diferente do que se vê em Aracaju, há um marketing pesado nisso, apesar de o time estar desapontando um pouco na reta final do campeonato.
O Confiança teve uma boa ação de propaganda ano passado, mas os jogadores pegaram a confiança que a pequena torcida tinha depositado e jogou no lixo, ou melhor, no bar. Farrearam afu nas viagens para fora do estado enquanto ‘disputavam’ a chance de sair da terceira divisão do Brasileirão. Resultado: o Confiança ganhou o que Luzia ganhou no beco.
Vento, ventania, temporal

Ontem eu estava na UFRGS. De repente vejo pelo vidro as pessoas cobrindo os olhos e tentando se proteger de alguma coisa. Quando saio na rua, percebo um ventinho daquele de que quem passa pelo prédio da ASSembléia Legislativa (em Aracaju) conhece. Começo a andar, olho pro morro onde ficam as torres de TV e vejo o céu cinzento, pubo, preto meeesmo. Com direito a trovoada e tudo. Nisso eu já estava dentro do ônibus.
No caminho de volta para casa, vejo meia árvore caída e muita chuva. Quando desci do ônibus, tudo estava escuro. Tinha faltado luz (soube que desde as 5 da tarde). Às 8 da noite a CEEE (equivalente a Energipe) reestabelece a luz.
Esse foi meu primeiro temporal =)
O show vai começar!
Mais uma vez fui a Porto Alegre, desta vez no último fim de semana. Você me pergunta: “de novo? Só existe essa cidade no Brasil? Comprou na promoção de 20 por 1 real?”. Eu respondo: “baahh, adoro o lugar tchê!” Preciso repetir os motivos?
Enfim, nesta recente visita, tive contacto com um evento que não consegui conhecer das outras vezes que fui: o “bric” da Redenção. É uma feirinha onde se vende souvenirs e artigos para turistas e locais. Muita gente vai à redenção no domingo de manhã, comparando com os costumes daqui é como se fosse uma Atalaia da vida, claro que há uma diferença enorme entre o público da Atalaia e o público da Redenção. Então, pelo público, eu comparo a Redenção à praia de Aruana, ou a Atalaia Nova, um público mais classe média.
Nessa feirinha, vi pela primeira vez o “homem do gato”. Um ator que apresenta um espetáculo, creio que praticamente todos os domingos no mesmo parque. Um humorista que faz seu humor com as próprias pessoas que o rodeiam durante as apresentações. O senhor simpático faz duas apresentações por domingo, uma pela manhã e outra à tarde. O show de rua sempre começa com o ator abordando as pessoas, chamando-as com o seu bordão: “O show vai começar!”.
Quando o show começa, a primeira coisa que ele faz é a arrecadação, de um jeito que te instiga a colaborar. Nisso ele é esperto, aproveita para arrecadar enquanto a maioria das pessoas está no local e com interesse na apresentação. Depois que o show começa, é um festival de piadas com situações do cotidiano, além das próprias brincadeiras que o Cat Man faz com as pessoas que passam pelo local.
– Passe já pra casa! Grita com as mulheres que passam correndo.
– Pobre só atrapalha! Aos que fazem barulho durante a fala dele.
Um show bem engraçado. Uma boa pedida para um típico domingo de manhã na capital gaúcha (também acho que daria um bom quadro num desses programas de humor da tv). #ficaadica. =)
P.S.: Eu infelizmente estava sem a câmera na hora. Sorry =(
Lições da terra de Gaudério
| Porto Alegre – RS |
Pela segunda vez estive em Porto Alegre – RS. E pela segunda vez a cidade me impressiona e me surpreende.
Além de ser charmosa e bem estruturada , a cidade tem um ar de cultura. Parece que lá você respira cultura. Se isso eu percebi na minha primeira visita, por causa da incrível quantidade de museus, desta vez eu pude ver por causa da participação popular e do engajamento da mídia num evento que passaria despercebido aqui em cima: a Feira do Livro.
| Feira do Livro de Porto Alegre: 20 mil participantes/dia |
A Feira do Livro em 2008 completou 54 edições. O evento que começou pequeno foi crescendo e hoje mobiliza toda a cidade. Como estudante de Comunicação, notei primeiramente a estrutura de emissoras no local. Cada emissora de rádio e televisão de Porto Alegre se fazia presente no evento, umas mais, outras menos. Mas todas estavam lá e davam grande destaque à Feira durante a programação.
| Feira do Livro POA 2008 – Estande da Bandeirantes |
| Estande da TVE (pública) |
| Estande da Rádio UFRGS |
| Estande RBS |
Se a mídia estava presente, em peso, é porque ela tem retorno. Em média 20 mil pessoas comparecem por dia de evento. A Feira do Livro sempre começa na primeira semana de novembro e se estende por duas semanas.
Ocupa um espaço considerável da zona central da cidade. Além de toda a praça da Alfândega, a feira também ocupa um espaço à beira do Guaíba. Grosso modo, se a feira fosse realizada em Aracaju com o mesmo tamanho, seria como se ela ocupasse toda a área dos calçadões (João Pessoa, São Cristóvão e Laranjeiras) além da Praça Fausto Cardoso até o Parque Teófilo Dantas (fundo da Catedral Metropolitana). Sem exageros.
| Feira do Livro – Porto Alegre |
| Área de encenação para crianças |
Outra comparação grosseira (e a Feira vai ter de me perdoar). Em termos de importância do evento, a Feira está para os portalegrenses, assim como o Pré-caju está para os aracajuanos.
O estado convidado da Feira este ano foi Pernambuco. O governo do estado de PE teve uma participação que eu chamaria de tímida. Montou um estande bem modesto. Com uma quantidade irrisória de títulos à venda e pouca informação sobre esse gigante cultural que é Pernambuco.
Pernambuco esteve presente no teatrinho da parte da Feira dedicada às crianças, na declamação de cordel na praça dos autógrafos, no espaço montado pelo governo de PE e na Banca da Livraria Patrícius (uma simpática livraria local).
| Cultura pernambucana na Feira do Livro |
| Cultura pernambucana na Feira do Livro |
| Cordel na Feira do Livro |
Uma coisa que me chamou muito a atenção na Feira foi o fato de todo tipo de livro ser vendido lá. Uma explicação para isso eu vi num vídeo da RBS que estava em exposição no Museu da Comunicação: “Para o bem ou para o mal, A FEIRA É DO LIVRO, e não da Literatura“. Essa frase marcou a Feira para mim e foi o que me deixou mais apaixonado pelo evento. Isso certamente não seria visto com bons olhos pelos provincianos das letras aqui de Aracaju. Uma pena, pois enquanto prevalecer esse sentimento elitista a Feira do Livro de Aracaju dificilmente deixará de ser um evento de um fim de semana, sem divulgação alguma, feita em lugares distantes (não me diga que a calçada da Biblioteca Epiphâneo Dória é um local de boa circulação) e o mais importante, sem a participação da população, o que certamente dificultará o acesso à cultura e à leitura pela maioria. Leitura essa que enquanto não tiver incentivo, sempre perderá para eventos como o Pré-Caju.
Quem tiver interesse em ler mais sobre a Feira do Livro de Porto Alegre, clique aqui. Esse é o link da página oficial da Feira. Quem puder viajar, ano que vem tem mais. Te la recomendo! Quem não puder, desejo que a nossa feirinha cresça igual à de lá.
| Logo da Feira |
